Hábito alimentar nos lanches intermediários de crianças escolares brasileiras de 7 a 11 anos: estudo em amostra nacional representativa

Mauro Fisberg, Agatha Nogueira Previdelli, Ana Paula Wolf Tasca Del’Arco, Abykeyla Tosatti, Carlos Alberto Nogueira-de-Almeid

Abstract


Objetivo: Avaliar a composição e o valor nutricional dos lanches intermediários das crianças escolares
brasileiras. Metodologia: Análise secundária de questionário estruturado, sobre o tipo e quantidade
dos alimentos consumidos nos lanches por um período de 3 dias, respondido pelas mães de 2.365
crianças de 7 a 11 anos de todas as regiões do Brasil. Resultados: 97,46% das crianças realizaram
os lanches intermediários que, em média, foram compostos por 2,9 grupos de alimentos. Os lanches
da manhã (LM) foram caracterizados por biscoitos, frutas e iogurtes. Nos lanches da tarde (LT), que
geralmente se mostraram mais calóricos, o grupo dos iogurtes foi substituído pelos pães em geral. Em
relação aos nutrientes, observou-se um consumo expressivo de açúcar de adição, com destaque para
as regiões Centro-Oeste e Norte + Nordeste, cujo consumo total (LM + LT) de 28,3 gramas ultrapassou
o limite diário preconizado pela OMS. Outro importante achado foi o consumo sódio, cujo consumo
nas crianças da amostra Brasil, nos dois lanches, atingiu 65% do valor de AI em todos os lanches,sendo maior no LT. Conclusão: As crianças escolares brasileiras têm o hábito de realizar os lanches
intermediários, o que favorece o preenchimento dos requerimentos nutricionais, principalmente de
vitaminas e fibras. Porém, a composição dos lanches revelou um consumo expressivo de açúcar de
adição e sódio, o que pode impactar negativamente na saúde das crianças. Isso reforça a necessidade
de campanhas educativas tanto às crianças quanto aos responsáveis por sua alimentação.

Keywords


lanches intermediários; crianças escolares; hábitos alimentares.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22565/ijn.v9i4.256

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