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Semana em Foco
DIETA PRUDENTE... E VIRTUOSA!
Prudente é uma palavra estranha, não acha? Hesitei um monte em colocá-la no título, mas quero escrever hoje sobre a assim chamada Dieta Prudente e o emprego desta palavra tornou-se inevitável, inadiável, imprescindível. Se eu escrevesse simplesmente com o objetivo de chamar a atenção e aumentar os acessos ao site, tenha certeza de que não a usaria: prudente não carrega em si nenhum "apelo", concorda comigo?
Propõe-se atualmente como uma Dieta Prudente aquela rica em fibras, contendo até 3 g de sódio por dia (leia-se "com pouco sal") e com cerca de 30 (até 35) % das calorias totais na forma de gordura (com predomínio de gorduras poliinsaturadas em relação às saturadas). Também deve se evitar o excesso de ingestão de calorias.
Eu imagino que você deve estar pensando que esta é alguma "nova dieta" que está surgindo na mídia ou no meio científico como as inúmeras outras já divulgadas, cada uma com uma intenção melhor do que a outra! Pois bem: a referência mais antiga que achei sobre Dieta Prudente foi a de um artigo do American Journal of Clinical Nutrition, publicado na edição de julho/agosto de 1959! Nossa, nem eu imaginava ser uma proposta tão antiga assim!
O mencionado artigo propunha:
1. Consuma quantidades adequadas de proteínas de boa qualidade em cada refeição. As fontes destas proteínas incluem: queijo cottage, leite com baixo teor de gordura, frango, peru, vitela, cortes magros de carne de boi, carneiro e porco (com a gordura aparente removida), peixes (incluindo os peixes gordurosos, ricos em gordura poliinsaturada), frutos do mar e ovos.
2. Consuma um mínimo de 29,6 ml (1 onça) de óleo de milho (rico em gordura poliinsaturada) ou equivalente por dia, além do óleo utilizado no preparo dos alimentos. Pode ser acrescentado ao leite, cereais, sobremesas ou utilize uma margarina com 80% de óleo de milho inalterado. Para o preparo de pratos quentes, utilize o óleo de milho ou equivalente.
3. Evite a ingestão dos seguintes alimentos, exceto em ocasiões eventuais: manteiga, margarina com gordura parcialmente hidrogenada, shortenings (um tipo de gordura utilizada pela indústria alimentícia), creme de leite e todos os produtos que os contenham.
4. Consuma uma dieta com quantidades adequadas de pães, cereais, sementes oleaginosas (como as castanhas, amêndoas e nozes), vegetais e frutas.
Podemos observar que, em linhas gerais, esta Dieta Prudente não mudou muito ao longo do tempo. Eu faria apenas alguns comentários:
- Sabemos hoje ser possível manter uma oferta adequada de proteínas mesmo com alimentos de origem vegetal, desde que adequadamente combinados, incluindo os cereais integrais (como a aveia, cevada, centeio, trigo, triticale, milho e arroz integral), as leguminosas (como feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico e soja) e as sementes oleaginosas (descritas acima). O artigo mencionou apenas fontes de proteína de origem animal como referência.
- Na época, final da década de 50, parece que o óleo de milho era o mais consumido como fonte de gordura poliinsaturada; hoje, ao que me parece, o óleo de girassol e o óleo de canola são os preferidos como fonte deste tipo de gordura. O meu querido azeite de oliva extravirgem não foi nem mencionado como fonte de gordura monoinsaturada, hoje tão valorizada para a boa saúde, em especial para a saúde cardiovascular.
- O artigo apenas descreve ingestão adequada de pães e cereais, sem enfatizar que devem ser predominantemente integrais.
Além disso, uma Dieta Prudente atual mais abrangente - com todos os "algo mais" que ela tem direito - valorizaria os orgânicos, a sustentabilidade do planeta e a biotecnologia, questões que não podem ser mais dissociadas de uma dieta saudável.
A virtude, segundo Aristóteles (filósofo grego, 384-322 a.C.), é descrita como uma disposição adquirida de fazer o bem, podendo ser aperfeiçoada com o tempo. Encontramos algo de virtuoso na proposta da Dieta Prudente, não é mesmo? Aprimorando-se com o tempo, moldando-se segundo os conhecimentos adquiridos, sempre com o intuito de proporcionar o bem, uma vida saudável, uma longevidade com boa qualidade de vida. E não é que a prudência é uma das virtudes cardeais, caracterizadas como virtudes centrais, fundamentais e orientadoras? São quatro (como quatro são os pontos cardeais), descritas resumidamente a seguir:
Prudência: É o reto agir, o bom senso, o equilíbrio. Cuida do lado prático da vida, da ação correta e busca os meios para agir bem.
Temperança: É o auto-controle, o auto-domínio, a moderação. A temperança modera os impulsos e os apetites.
Fortaleza: Faz-nos fortes no bem, na fé, no amor. Leva-nos a perseverar nas coisas difíceis e árduas, a resistir à mediocridade, a evitar rotina e omissões. Pela fortaleza vencemos a apatia, a acomodação e abraçamos os desafios.
Justiça: Regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade e respeita os direitos humanos. É da justiça que brota a paz.
Isso tudo fez a nossa Dieta Prudente também virtuosa, não é mesmo?
Vivendo e aprendendo!
Enviado em 05 de setembro de 2010
Dra. Isabela M. B. David
Médica Nutróloga (CRM-SC: 6356)
Título de Especialista em Nutrologia pela ABRAN/CFM/AMB
Diretora de Atividade Científica da ABRAN
Coordenadora Científica do Departamento de Informática da ABRAN
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Doenças Nutricionais
Constipação Intestinal
INTRODUÇÃO:
O hábito intestinal é bastante variável entre as pessoas e depende de vários fatores como a dieta, a ingestão de líquidos e as características específicas de cada indivíduo. Considera-se normal a frequência de evacuação de 3 vezes por dia a 3 vezes por semana, desde que a consistência das fezes também seja normal.
A constipação intestinal – também conhecida como obstipação intestinal ou “prisão de ventre” – pode ser definida como a evacuação em freqüência inferior a três vezes por semana. Porém, algumas pessoas apresentam freqüência de evacuações normal, mas com grande esforço para evacuar, presença de fezes muito ressecadas e/ou sensação de evacuação incompleta. Esta é conhecida como constipação de trânsito normal.
A constipação intestinal é mais comum em mulheres e em idosos.
CLASSIFICAÇÃO QUANTO À DURAÇÃO DOS SINTOMAS:
Constipação Intestinal Aguda: a qual tem início recente e de maneira abrupta;
Constipação Intestinal Crônica: ocorre de forma progressiva e já existe há algum tempo. A causa mais comum para a constipação intestinal crônica é a baixa ingestão de fibras (presente em frutas, verduras e grãos integrais) e de líquidos. As fibras não são digeridas pelo organismo humano, e, portanto, uma de suas funções é a de aumentar o volume das fezes e reter líquido nas mesmas, tornando-as mais pastosas e fáceis de eliminar. A ingestão de líquidos faz com que as fezes tornem-se hidratadas, facilitando a evacuação.
CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA:

CAUSAS
Fatores que favorecem a Constipação Intestinal:
-
Medicamentos: analgésicos potentes (como morfina e derivados), suplementos de ferro (usados no tratamento de anemia), alguns antihipertensivos, alguns antiácidos, uso inadequado do hormônio tireoideano, medicamentos para o tratamento da Doença de Parkinson, alguns antidepressivos (como a imipramina), alguns antiepilépticos,
• Medicamentos:
- analgésicos potentes (morfina e derivados);
- suplementos de ferro, usados para tratar anemia;
- alguns medicamentos para tratamento de Hipertensão Arterial (inclui-se diuréticos);
- alguns antiácidos;
- uso inadequado de hormônio da tireóide;
- medicamentos para tratamento da Doença de Parkinson;
- antidepressivos;
- medicamentos para tratamento de epilepsia;
- uso contínuo de laxantes.
• Doenças que alteram a movimentação intestinal:
- Metabólicas: Diabetes, Hipotireoidismo, intoxicação com metais pesados;
- Neurológicas: Doença de Parkinson, Lesão da medula espinhal, Esclerose Múltipla, AVE (Acidente Vascular Encefálico);
- Síndrome do Intestino Irritável;
- Depressão;
- Doença cardíaca;
- Câncer de cólon;
- Compressão do intestino por alguma estrutura ou tumor fora dele;
- Estreitamento da luz intestinal;
- Doença de Chagas – causa uma pseudo-obstrução, na verdade.
COMPLICAÇÕES:
Se não houver tratamento, a longo prazo, podem ocorrer graves complicações para o organismo, como:
- Diverticulose
- Hemorróidas
- Fissuras anais
- Câncer do intestino
DIAGNÓSTICO:
Ao ser relatada a condição de constipação intestinal, o médico deve realizar uma anamnese detalhada, pesquisando do paciente, seus hábitos alimentares, quantidade de líquido ingerido, medicamentos usados e o hábito intestinal do paciente antes e depois da constipação, também é importante salientar o histórico familiar do paciente. O conhecimento sobre o aspecto das fezes ou se há dor durante a evacuação é de grande importância.
O exame físico inclui uma avaliação da região anal e um toque retal para avaliação do ânus e ampola retal. Exames complementares são realizados em determinados casos, já que na maioria das vezes a constipação intestinal está relacionada aos hábitos alimentares inadequados. Tais exames complementares são: hemograma, exame de fezes, radiografia de tórax e abdome, exame radiológico com contraste no intestino, colonoscopia e trânsito intestinal.
TRATAMENTO:
O tratamento clínico é o mais recomendado, caso seja descartada doença grave ou que necessite de tratamento específico ou cirúrgico. Deve haver a mudança na dieta alimentar, no estilo de vida, e evitar o uso de laxantes, supositórios entre outros.
A principal dificuldade no tratamento do constipado é a mudança dos hábitos alimentares, envolvendo a maior ingestão de fibras (de preferência naturais, como frutas, verduras e cereais) e de líquidos, e evitando-se o consumo de agentes constipantes, como café, leite, chá e álcool.
Muitas vezes, a mudança dos hábitos,tanto alimentares quanto comportamentais, não surtem efeitos satisfatórios. Dessa forma, há necessidade de iniciar um tratamento com o uso de laxantes, que podem ser de diversos tipos: formadores de massa ou fibras (retém água e aumentam o volume das fezes – p. ex.; fibras naturais e sintéticas), osmóticos (substâncias que o intestino não absorve, portanto também retém água- p. ex.;sais de magnésio, açúcares), emolientes-lubrificantes (facilitam o deslocamento do bolo fecal, deve-se usar por um curto período de tempo ), estimulantes-irritantes (irritam a parede intestinal, fazendo com que haja maiores movimentos, o que expulsa o bolo fecal – p. ex.; óleo de rícino).
A cirurgia é somente efetuada em pacientes com doenças agudas que necessitem de intervenção, com obstrução intestinal, apendicite, perfuração de tubo digestivo, doenças inflamatórias intestinais. Geralmente, é preciso retirar uma parte do intestino e assim, fazer a correção da causa básica.
PREVENÇÃO:
Alimentar-se em horários regulares
Mastigar bem os alimentos
Ter uma dieta variada, rica em frutas, verduras e cereais
Reduzir a quantidade de gordura ingerida
Evitar bebidas alcoólicas, café, chocolate e alimentos que excedem a produção de gases, como brócolis, repolho e feijão
Beber muita água, pelo menos 2 litros por dia
Obedecer a vontade de evacuar
Evitar distrações no momento da evacuação(ler revistas, jornais, estar ao telefone)
Praticar exercícios físicos regularmente
Não utilizar laxantes sem supervisão médica |
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Vitamina A: deficiência pode levar à cegueira
Encontrada em abundância em vegetais de cor alaranjada, como cenoura e abóbora, e em alimentos de origem animal, como leite, gema de ovo e fígado, a vitamina A é essencial para manter visão, pele, mucosas saudáveis e, de quebra, reforça a imunidade. Esta vitamina também é fundamental para o desenvolvimento da criança e sua carência está relacionada à mortalidade infantil. Apesar de tamanha importância, uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta a ´hipovitaminose A´ como uma das principais deficiências nutricionais do País. E esta deficiência é a principal causa de cegueira evitável no mundo.
De acordo com a pesquisa, a deficiência atinge 12,3% das mulheres com idade de 15 a 49 anos. Entre crianças com mais de 5 anos é de 17,4% e chega a 21,6% na região Sudeste. Para combater o problema, o Ministério da Saúde desenvolve um programa nacional de combate à desnutrição e à hipovitaminose A, com foco nos bolsões de pobreza.
Sintomas como dificuldade de enxergar à noite, acne, gripes constantes e atraso no crescimento da criança podem ser sinais de carência de vitamina A. A insuficiência pode ser detectada por meio de exame de sangue. Segundo a nutricionista Thaís Navarro, a hipovitaminose A pode ser combatida com alimentação balanceada. A recomendação diária do nutriente é de 1mg e pode ser encontrado no óleo de fígado de peixe, fígado, rim, ovo, leite, óleo de dendê, cenoura, couve, espinafre, manteiga. "Esta é uma recomendação para pessoas que não apresentem nenhum tipo de deficiência ou patologia. O ideal é procurar um profissional especializado para diagnosticar a quantidade específica e elaborar um cardápio balanceado individualizado", salienta.
Quando o assunto é a saúde dos olhos, o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, diz que a deficiência de vitamina A predispõe à conjuntivite e ao ressecamento da córnea. "O resultado é a formação de cicatrizes que comprometem a visão", explica. Na retina, ressalta o médico, ocorre o prejuízo da síntese da rodopsina, um pigmento que responde pela capacidade de adaptação à baixa luminosidade. É isso que origina a dificuldade de enxergar em ambientes escuros ou ´cegueira noturna´. "O distúrbio pode levar à perda definitiva da visão. O único tratamento é a reposição da vitamina com suplementação e dieta adequada", alerta.
Em excesso: tóxico - Se a carência de vitamina A pode levar à cegueira e outros problemas, o excesso também pode trazer complicações, como vômitos, pele seca, queda de cabelo, unhas frágeis, fadiga, falta de apetite entre outros sintomas. Portanto, antes de procurar suplementação, Thaís orienta procurar ajuda profissional. "A dieta da maioria das pessoas contempla pelo menos uma fonte de vitamina A, por isso, antes de iniciar qualquer tipo de suplementação o ideal é procurar um especialista, para que possa diagnosticar através de exames a quantidade de nutrientes que devem ser ingeridos e só então recomendar a ingestão diária ideal para o perfil da pessoa."
Queiroz Neto diz que a quantidade a ser ingerida depende das condições de saúde, sexo, idade e peso. Em mulheres grávidas, exemplifica, a expansão do plasma reduz a concentração de vitamina A. Por outro lado, estudos mostram que altas doses durante a gestação podem causar defeitos congênitos no feto. Conclusão: o mais indicado para a maioria das gestantes é a reposição dietética. A regra pode mudar entre mulheres que, antes da gravidez passaram por cirurgia bariátrica para perder peso. Isso porque, o procedimento diminui a absorção de vários nutrientes, inclusive da vitamina A.
Absorção - Segundo a nutricionista, por ser uma vitamina lipossolúvel, o nutriente é melhor absorvido quando ingeridos juntamente com gorduras (como óleos vegetais). O cozimento por alguns minutos, até que as paredes das células se rompam e liberem cor, também aumenta a absorção. Segundo Queiroz Neto a má absorção da vitamina A pode ainda estar relacionada a problemas gastrointestinais, dietas que restringem o consumo de proteínas ou gorduras e à dificuldade de assimilação de gorduras decorrente de doença celíaca ou hepatite. VIVIANE RODRIGUES
Fonte: JORNAL DE JUNDIAÍ – SP |
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